Disseminação
/ Dissemination
Exposição - 15.10.2012 - 25.01.2013
Exposição - 15.10.2012 - 25.01.2013
Exhibition - 15.10.2012 - 25.01.2013
Esta instalação fotográfica reproduz a Rua da Pracinha, a artéria principal da Chicala II, um dos bairros não-planeados mais centrais de Luanda (situado entre a ponta Sul da Ilha do Cabo e o centro político-administrativo da cidade, aos pés da Fortaleza de S. Miguel). Aqui, o público torna-se num dos actores que, no dia-a-dia, fazem da rua um lugar de diálogo e comunicação por excelência.
A Rua da Pracinha é um microcosmo da diversidade da vida urbana local, populada por pessoas de múltiplas origens, grupos étnicos, crenças religiosas, idades... A própria toponímia implica um lugar que é simultaneamente rua e praça (em Angola, ‘praça’ pode significar ‘mercado’). Pequenos negócios e serviços confundem-se com os espaços públicos e as estruturas domésticas: uma bancada de venda, uma ‘janela aberta’, uma cantina, um campo de jogos, uma fábrica de blocos de cimento, um salão de beleza – tudo conflui num sistema complexo onde sociabilidade e trabalho aparecem interligados.
Na rua, garantem-se oportunidades de subsistência e de reconhecimento. É aqui que a criatividade e contemporaneidade têm a sua razão de existir. Apesar da escassez de infra-estruturas, a Rua da Pracinha funciona – e pode ser uma fonte de conhecimento. Aqui, desfilam estilos pessoais, práticas culturais, hábitos e costumes locais, que se tornam barómetros de cosmopolitanismo. Este é o caminho percorrido todos os dias por muitos habitantes da Chicala, em direcção aos seus postos de trabalho ou de estudo, espalhados pela cidade (cerca de 40% da classe adulta residente neste bairro trabalham na Baixa).
Os factos apontam para uma simbiose entre o bairro e a cidade, perspectiva raramente abordada pelos relatos recentes sobre o período pós-guerra em Angola, marcado por um desenvolvimento económico galopante. Pelo contrário, esta exposição procura dar a conhecer e captar a atenção para formas alternativas de apropriação do espaço. Propõe uma estratégia diferente da abordagem ‘económica’ e ‘global’ à cidade. A instalação procura promulgar a urbanidade latente dos territórios informais. Espera-se que esta experiência transmita a vitalidade da Chicala II. Que o público se inspire ao percorrer a Rua da Pracinha!
This photographic installation is a reproduction of a stretch of Rua da Pracinha (literally, Little Plaza Road), the main traffic artery in Chicala II, one of Luanda’s most central non-planned settlement (located between the southernmost point of Ilha do Cabo and the city’s political-administrative centre at the foot of the São Miguel Fortress). Visitors to the installation will be playing the parts of everyday Luandans who make this route a quintessential thoroughfare of communication.
Rua da Pracinha represents a microcosm of diversity within local urban life, populated by people hailing from diverse origins, ethnic groups, religious beliefs, and of all ages... The road’s toponymy itself implies an area which is simultaneously road and praça (which in Angola is also used to mean market). Small businesses and services are entwined with public areas and domestic structures: a sales counter, a “sales window”, a canteen, a games field, a cement block factory, a beauty salon – all part of a complex system in which sociability and work go hand-in-hand.
The street affords opportunities for sustenance and recognition. Here, creativity and contemporaneity come into their own. Despite a lack of infrastructure, Rua da Pracinha works – and may often be a source of important knowledge. Here, personal styles and cultural practices, as well as local habits and customs, are all on display, and serve as barometers of cosmopolitanism. Here is a route taken every day by thousands of Chicala residents towards their places of work or study, disperse throughout the entire city (approximately 40% of adults living in the neighbourhood work in the city’s Baixa, or downtown).
Current evidence points towards an the existence of an important symbiosis between the neighbourhood and the city, a perspective rarely touched upon in recent reports on the post-war period in Angola, marked by rampant economic development. On the contrary, this exhibition seeks most of all to inform and to attract attention to alternative forms of appropriating places. It proposes a strategy distinct from the current “economic” and “global” approach to the city. The installation seeks to promulgate the latent urbanity of informal areas. It is hoped that this experience will convey some of the vitality of Chicala II and inspire those who choose to take a walk along Rua da Pracinha!












