back

Disseminação
/ Dissemination

Video - Sexto Sentido

Video - Sexto Sentido

ZTV, Luanda-Sul, 10.8.2011

Link to Youtube


Sexto Sentido, ZTV, Luanda-Sul

Paulo Moreira entrevistado por Vânia

Quarta-feira, 10 Agosto 2011

 

É verdade. Já cá estamos no nosso momento cultural. Como costumo dizer, no Sexto Sentido respira-se cultura de Segunda a Sexta-feira. Já tenho o nosso convidado, bom dia, seja muito bem-vindo ao nosso Sexto Sentido. O meu convidado é o engenheiro Paulo Moreira

 

Arquiteto.

 

Arquiteto, exatamente, arquiteto. Que nos veio falar do Workshop de Arquitectura Social: Chicala 2011.

 

Antes de mais deixe-me só agradecer a oportunidade para divulgar esta inciciativa que está a decorrer esta semana na zona da Chicala. É uma atividade que encolve o curso de Arquitetura de duas Universidades aqui de Luanda.

 

Este workshop vem na sequência de quê?

 

Está integrado num trabalho de Doutoramento que estou a fazer em Londres, na London Metropolitan University, que é precisamente um estudo sobre a cidade de Luanda. Estou neste momento , durante este mês, a realizar uma viagem de investigação e nesse sentido contactei a Universidade Agostinho Neto e a Universidade Lusíada no sentido de saber sobre o interesse em colaborar numa atividade com grupos de estudantes,  para fazermos trabalho de campo, que denominamos trabalho social.

 

Há então uma parceria entre a London Metropolitan University, a Universidade Agostinho Neto e a Lusíada.

 

Sim, mas deixe-me também referir duas entidades que estao a dar todo o apoio logístico, a DW e a Hope & Space.

 

Qual é o principal objetivo deste workshop?

 

O objectivo é conscencializar a comunidade académica, neste caso os futuros arquitetos de Angola, sobre questões sociais. Sobre o que é trabalhar de forma participativa, em relação direta com residentes duma determinada comunidade, respondendo a necessidades reais, propondo melhorias de pequena escala para o dia-a-dia do funcionamento de bairros mais necessitados.

 

E o que é que os nossos futuros arquitetos, atualmente estudantes de arquitectura, vão fazer neste workshop?

 

Houve uma grande adesão a esta iniciativa, estão noventa inscritos...

 

Noventa, bastantes!

 

Sim, ficámos bem surpreendidos e agradecemos também o grande interesse que isto despertou. No fundo, estão a realizar inquéritos junto da população, a fazer levantamentos sobre o tipo de construções existentes (os sistemas construtivos, os materiais utilizados, ...). Depois desse reconhecimento, faremos uma série de intervenções de pequena escala, onde a intenção é utilizar materias de baixo custo, materiais reciclados, etc. Portanto, há aqui um trabalho de campo que visa recolher informação sobre o estado atual da zona de estudo e, numa segunda fase, os estudantes estarão na Universidade a trabalhar sobre aquilo que recolheram e a propor eventuais melhoramentos.

 

Os estudantes vão participar de forma bem ativa... Quando e onde será realizado este workshop?

 

O workshop já está a decorrer. Houve uma sessão de lançamento na Segunda-Feira passada, na Universidade Lusíada. Ontem e hoje os estudantes estão na Chicala, como disse, e entre amanhã e Segunda-feira estaremos na Universidade Agostinho Neto e na Lusíada a desenvolver os trabalhos. Na Terça-feira dia 16, a partir das 9h da manhã, no anfiteatro do Departamento de Arquitetura da Universidade Agostinho Neto, haverá uma apresentação dos reusltados e debate com uma série de convidados, que virão conversar sobre qual o papel social do arquiteto, ou do futuro arquitecto.

 

Qual é o papel social?

 

O arquiteto, como interveniente direto na paisagem construída, tem uma grande responsabilidade no modo como a cidade vai ser usada... Portanto é muito importante que os seus projetos, os seus edificios, respondam àquilo que é a cultura local, àquilo que são os hábitos e costumes, as necessidades dos habitantes... Sem dúvida que a arquitetura  é uma arte social.

 

Depois deste sucesso, desta grande adesão, isto é algo a que pretendem dar continuidade?

 

Sim, estamos interessados em conscencializar o público sobre este tipo de intervenções, para eventualmente podermos realizar algumas das ideias propostas. É um objetivo a perseguir. Claro que neste momento trata-se de trabalho académico, feitos no âmbito da Universidade, mas por que não? Lanço já agora um apelo a alguém que se interesse por estas questões...

 

Está a vontade, pode deixar agora o apelo!

 

Nós sabemos que, não só a Chicala, mas muitos bairros aqui da cidade de Luanda,  estão a sofrer uma grande transformação. A cidade está a fervilhar, a malha urbana está em ebulição...

 

Era isso que eu ia perguntar: porquê ter escolhido a zona da Chicala?

 

Dizia só rapidamente que, apesar darmos toda a legitimidade aos projetos que estão a decorrer e vão ser implementados na cidade, sabemos que todos esses projetos envolvem grandes equipas de especialistas e necessitam longos prazos para implementação. A nossa ideia é que, enquanto esses projectos são feitos, poderíamos intervir já, a curto prazo.  Através de intervenções de pequena escala, poderíamos melhorar o dia-a-dia da vida do bairro.

 

E a Chicala porquê? Porque nos interessava escolher uma área que transmitisse a diversidade cultural que temos nesta cidade. Esta foi uma zona que foi sendo transformada ao longo das últimas décadas. Foi crescendo, crescendo, crescendo, e temos através dos inquéritos chegado à conclusão que praticamente todo o país está representado naquele lugar tão específico.

 

Como é que tem sido a participação destes estudantes? Estão empenhados?

 

Sim, muito empenhados! Fizemos uma espécie de formação no primeiro dia, ainda na Universidade, para explicar em que consistem os tais inquéritos, como é que se deveriam dirigir à população, etc. Conversámos sobre o trabalho que iria ser feito no campo e desde aí notei um grande interesse e entusiasmo. Ontem estivemos todo o dia, de manhã e de tarde, a realizar uma visita guiada com representantes dos moradores que também nos apoiaram, receberam-nos de braços abertos.

 

Os moradores então estão abertos a esta vossa iniciativa?

 

Exatamente. Sim, estão todos recetivos e muito curiosos também para ver os resultados que irão surgir. E nós também estamos muito interessados em saber qual será a reação e a recetividade por parte dos moradores.

 

E então o que é que podemos esperar quando terminar este workshop?

 

Muito concretamente, julgo que poderemos esperar a melhoria de espaços coletivos, por exemplo, campos de jogos pra crianças, parques infantis, creches, melhoria também dos espaços públicos para reunião da população, por exemplo com cobertos onde se possam proteger do sol durante o Verão...

 

Faltam espaços de lazer em Luanda? Faltam-nos zonas verdes?

 

Julgo que sim.

 

Porque uma das maiores preocupações dos pais do nosso país é que, quando chega ao fim-de-semana, não têm onde levar as suas crianças para passar um bom momento. Faltam-nos esses espaços?

 

Daquilo que conheço da cidade de Luanda, tenho essa perceção. Sem dúvida que faltam esse tipo de lugares. Uma das questões que está presente no inquérito aos residentes, é  precisamente pedir sugestões para melhoria dos espaços públicos... O que é que está em falta? E temos reparado que realmente há muita gente com vontade de ter mais e melhores espaços públicos, onde se possa brincar, jogar, fazer pique-niques. Portanto, estamos a tentar trabalhar nesse tipo de questões.

 

Esta capital, Luanda, cresce a olhos vistos. Todos os dias acordamos e vemos novos prédios a surgir. Têm sido respeitadas essas questões neste novo plano arquitetónico e urbanístico da cidade de Luanda? Hoje me dia vemos tantos contrastes... ao lado de um edifício antigo nasce uma torre gigante, completamente diferente.

 

Claro que este momento de transformação cria momentos de contrastes. Estamos a viver no momento da transformação, estamos a assistir a essa alteração. Eu julgo que seria importante haver consciência sobre o que é o património da cidade. Há muitos edifícios de grande importância histórica.

 

É importante realmente respeitarmos o património da cidade... de qualquer cidade, em todo o mundo. Vamos então recordar o calendário deste workshop que começou no dia oito de Agosto. Estamos no terceiro dia deste workshop de arquitectura social. O que é que ainda vai ser feito de Quinta dia 11 a Terça dia 16?

 

Hoje, durante todo o dia, estaremos no campo a realizar os inquéritos e levantamentos: saber sobre o tipo de usos que os edificios têm, o tipo de comércio que existe, etc. Na Quinta estaremos na Universidade a conversar com os diferentes grupos de estudantes, porque cada um ficou responsável por uma zona, a conversar sobre como correu o trabalho de campo. E quais são as primeiras ideias no sentido de melhorar as condições existentes. Seguidamente, iremos mapear, através de desenhos, todas essas questões que foram recolhidas no reconhecimento preliminar. E criar projetos novos, projetos de ideias, que serão desenvolvidos até Segunda-feira. Na Terça de manhã serão expostos e apresentados no anfiteatro da Universidade Agostinho Neto, para o qual também aproveito para convidar o público que nos está a ver. Será uma sessão aberta e pública, portanto compareçam na Terça-feira para assistir à sessao de encerramento.

 

Paulo, Terça-feira então é uma sessão aberta a toda a gente, quem quiser lá estar presente às 9 horas, no anfiteatro da Universidade Agostinho Neto, vai acontecer a apresentação pública dos resultados deste workshop de arquitetura. Paulo, muito obrigada pela sua presença.

 

Obrigado.

 

O workshop ainda vai a meio mas já percebi que está a ser um sucesso! Acredito que os resultados para a Chicala serão aquilo que os moradores esperam. Até uma próxima e que isto seja um projeto que tenha continuidade.

 

Certamente, e quem sabe noutras zonas da cidade também. Este é uma metodologia, um caso de estudo, que pode ser depois  aplicada noutros contextos.

 

Os luandenses agradecem. Muito obrigada, Paulo, pela sua presença. Já sabe, ficou então aqui falado, este workshop que teve início na Segunda-feira dia 8 de Agosto e termina na Terça-feira dia 16. É aberto a todo o público, se quiser fazer parte, a sessão de encerramento vai ser na Terça-feira dia 16 às 9.00, no anfiteatro da Universidade Agostinho Neto. Bem, e depois deste momento cultural, é tempo de voltarmos para o nosso zodíaco.

 

 

 

 

Sexto Sentido, ZTV, Luanda-Sul

Paulo Moreira Interviewed by Vânia

Wednesday, 10th August 2011

 

We’re back now for our moment of culture. And, as you’ve heard me say, on Sexto Sentido we breathe culture, Monday to Friday. We have our guest here with us, good morning, welcome to the show. My guest today is Engineer Paulo Moreira.

 

Architect.

 

Architect, exactly, architect. He’s here to tell us all about the Workshop for social architecture: Chicala 2011.

 

Let me start off by thanking you for this opportunity to promote the event, which is taking place this week in the Chicala area. It’s an activity involving Architecture degrees from two Luanda Universities.

 

And what’s behind this workshop?

 

The workshop is integrated in a Doctoral thesis I’m undertaking at the London Metropolitan University, in London, which is actually a study of the city of Luanda. This month I’m on a research trip to Luanda. I contacted Agostinho Neto and Lusiada Universities to ask if they might be interested in a collaboration aimed at involving student groups in field work, which we might call social work.

 

So it’s a collaboration between the London Metropolitan University and the Agostinho Neto and Lusiada Universities.

 

Yes, but let me also mention two entities - DW and Hope & Space - which have been offering us invaluable logistic support.

 

What’s the workshop’s main objective?

 

The workshop’s objective is to raise awareness of social issues amongst the academic community, future architects in this case. For them to experience work in a participative environment, collaborating directly with a community’s residents, responding to real needs, proposing small-scale improvements to the day-to-day functioning of impoverished neighborhoods.

 

And what should our future architects, those currently studying architecture, expect to experience through the workshop?

 

There’s been a great response to this initiative. We’ve had 90 registrations…

 

Ninety, that’s quite a lot!

 

Yes we’ve been quite surprised and feel grateful for response this has merited. The students have been hard at work, carrying out a community-based survey and surveying existing building types as to their construction process, materials used and so on…

 

Going on from this, we’ve put in place a series of small scale interventions, in which we’ve opted to use low-cost materials such as recycled materials and so on. So there’s an element of the fieldwork which aims to gather information about the area in which the study is taking place and in a second phase, students will be based at their universities where they’ll be evaluating the information they’ve gathered and proposing possible improvements.

 

So the students will have quite an active role… Where and when is this workshop taking place?

 

The workshop is already under way. We had the kick-off last Monday at Universidade Lusíada. The students have spent most of yesterday and today at Chicala, as I described, and from tomorrow until next Monday, we’ll be at Universidade Agostinho Neto and at Lusíada, developing our ideas. On Tuesday, the 16th, at Agostinho Neto Architecture Department’s amphitheatre,  starting 9AM, we’ll present our results and have planned a debate with a number of guests we’ve invited to talk about the social role of architects, or future architects.

 

And what is that role exactly?

 

Architects, having a direct intervention on urban landscapes, have an important responsibility for the ways in which a city is used… So it is quite important that architect’s projects, their buildings, respect or integrate local cultures, habits and customs and the habitants needs… Architecture is, without a doubt, a social art.

 

Having had this success, with an impressive level of participation, is this something to be kept alive?

 

Without a doubt, we’re interested in raising the public’s awareness of this kind of intervention, with the aim of eventually putting in place some of the ideas proposed. It’s an objective worth pursuing. At the moment it’s clearly more of an academic exercise, taking place within the sphere of the university, but why not? I’d actually like to appeal to anyone interested in these issues…

 

Feel free to do so!

 

We know that many of Luanda’s neighborhoods, not only Chicala, are suffering major transformations. The city is simmering, the urban meshwork is at boiling point…

 

That’s something else I was going to ask, why choose the Chicala area?

 

 

I’d just like to say that, although we consider as totally legitimate the projects currently underway throughout the city, we understand that they all involve extensive teams of specialists and require considerable timeframes for implementation. Our idea is that whilst those projects are underway we can put in place immediate short-term interventions. Through small scale interventions, we can improve the neighborhoods’ day-to-day function.

 

And why Chicala? Because we were interested in choosing an area which embodied the cultural diversity patent throughout the city. Chicala is an area which has undergone significant transformation over previous decades. It’s been growing and growing and through our surveys we’ve come to the conclusion that, in this one specific neighborhood, we see represented the entire country.

 

How has the student participation been? Are they engaged?

 

Yes , very much so! We had a training session, of sorts, on the first day, whilst at the university, during which we explained the surveys’ content, our view of how the population should be approached and so on. We talked about the work we’d be carrying out in the field and right away I felt considerable interest and enthusiasm on part of the students. We spent all day yesterday, morning and afternoon, participating in a guided tour with representatives from the local population who have given us considerable support and welcomed us with open arms.

 

So the residents have been receptive to your program?

 

Exactly. They’ve been especially receptive and also curious about the eventual results. We’re also extremely interested in gauging the reaction and receptivity to these results as they appear.

 

So what can we expect once the workshop comes to a close?

 

Concretely, I believe we might expect an improvement of public spaces, such as children’s games fields, playgrounds and nurseries as well as improvements in spaces designated for public meetings, such as canvases to shield the public from the sun during the summer months…

 

Are there enough recreational areas in Luanda? Are we lacking green zones?

 

I believe so.

 

Because one of the main grievances amongst parents in this country is that, come the weekend, there’s a scarcity of places for them to take their children for a good time. Are we lacking in these spaces?

 

 

From what I’ve seen of Luanda, I’ve had that perception. I’ve no doubt that those types of spaces are lacking. We included a segment in the residents’ survey in which we asked for ideas for improving public spaces… What’s missing? And we’ve noticed there are plenty of people who wish there were more, or improved, public areas in which to play, relax and have picnics. So we’re giving our attention to these types of issues.

 

This capital, Luanda, is growing as we speak. Every day we see new buildings erected. Have the themes we’ve talked about today been respected in the city’s recent architectonic and urban planning? We see, today, so many contrasts… giant towers growing besides older buildings, from which they’re completely different.

 

This period of transformation is always going to give rise to contrasts. We’re living that transformation, we’re witnessing change. It seems to me important that there be an awareness of the city’s heritage. There are several buildings of great historical significance.

 

It’s certainly important that we respect the city’s heritage, as in any city in the world. So we’ll just remind you that the workshop started on the 8th of August. Today is the 3rdday of the social architecture workshop. What can we expect to see from Thursday the 11th to Tuesday the 16th?

 

During all day today we’ll be out in the field surveying the local population and the area: gathering information on the types of use buildings are given, existing categories of commerce etc... On Thursday we’ll be at the University talking to groups of students, each responsible for a different area, discussing how the field work went and sharing initial ideas towards improving the conditions they’ve found. Next we’ll map out, through drawings, the questions raised throughout this preliminary review and create new projects, or set out ideas for projects which are to be put in place by Monday. On Tuesday morning these ideas and projects will be presented at Universidade Agostinho Neto’s  amphitheatre, at an event which I’d like to invite those watching the show to attend. The session will be open to the general public, so join us on Tuesday for the closing session.

 

OK Paulo so Tuesday it’s an open session and anyone who’s interested should come along to Universidade Agostinho Neto’s amphitheatre at 9AM, where the public presentation of the architecture workshop’s results will take place. Paulo, thanks for coming to the show.

 

Thank you.

 

We’re only halfway through the workshop but I can already tell it’s been a great success. I believe the results for Chicala will be everything the residents expect. We hope to see you again and that the project is kept alive.

 

Certainly, perhaps even in other areas of the city. We’ve creating a methodology, a case study, with the potential to be applied in other contexts.

 

The people of Luanda are grateful. Many thanks, Paulo, for paying us a visit. So just to remind you, this workshop, which started on Monday the 8th of August, finishes on Tuesday the16th. It’s open to the general public and if you’re interested in participating, the closing session starts at 9AM on Tuesday the 16th at Universidade Agostinho Neto’s Amphitheatre. Well, and after this moment of culture, we return to our star signs.